segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sem Saída


Sem Saída

Blog de jennybyjenny :a visão de uma alma nua e crua, Sem Saída
Pisco os olhos num dia qualquer.Está nublado. O vento que transpassa pelo fragmento da pequena janela é frio. Estou despida. A manhã não está como as outras. Sento me nesse sombrio quarto onde o sol negou seu brilho. Levanto me e como todos os dias dias banais,calço minhas botas de camurça. Me abraço com firmeza a fim de espantar esse calafrio que envolve meu corpo. Olho para o lado, dormes com um anjo revestido em asas de cetim.
Um beijo lhe dou, último em muitos anos de paixão. Mexe- se. Não quero acordá- lo. Caminho em direção a meu pala coberto em lã de carneiro, calças de brim, um rosto cansado. rumo até a porta, de mansinho saio.
As nuvens ocultas por um breu assim...nada comum. Não tenho alternativa, continuo.Os pássaros que nos acolhiam com seu lírico em frente ao lago, hoje não cantam. Aquele velhinho que os alimentava também esvaiu, minha manhã não é a mesma.
Atravesso a pista desconfiada, onde foram os carros apressados?As buzinas incompreensivas?As pessoas que ali estão, passam sem consentimento. Naquela loja, o cão solitário me cumprimenta num ato de reverencia a um ser tão abstrato quanto ele.
Passo a passo, adivinhando qual  seria a direção, eles vagueiam em concordância com os ladrilhos fixados ao chão.Começo a sentir um vazio de sentimentos nada convencional. O corpo parece não acompanhar meu desentendimento. A visão de um todo é nítida porém diferente. Vozes sorrateiras, semblantes abalados, castiçais em sangue sobrepostos a rejeição.
Sufocada pelo dissabor da situação, escapo desse fuso incoerente, apressada, até aquela ponte encharcada de idéias, inflamo tamanha ansiedade, não posso esperar, meus olhos tocam o mais alto mastro, retomar o perdido não há tempo.
Subo rumo ao céu que me aguarda em soluços desesperados, a mente insana, o cadeado fechado, visão turva, não quero ouvir, na mais absoluta certeza, uma mão de mim se aproxima, os braços me enlaçam carinhosamente, onde escuto meu anjo sussurrar em minha penitência, libertando me enfim, desse gélido e eloquente pesadelo.

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