A PERPETUIDADE DO AMOR
Qual a razão do amor? Podem até me responder que não há razão, que acontece, que os opostos se atraem, mas como dizia shakespeare: "O amor tem razões que a própria razão desconhece", não detectamos no outro o que gostaríamos que fosse nosso, apenas refletimos algumas expectativas e anseios naquele sobreolhar. Diga-se de passagem que as vezes temos diferenças tantas que o cérebro se opõe a discórdia. Por que nos olhamos do nada e, sem rodeios ou interferências, pronunciamos frases inteiras no silencio das palavras, temos que ter o tato de cuidar até porque podemos sem querer mandar recados com os olhos sem perceber, dai surge atritos que poderiam ter sido evitados, isso sem tagarelar.
Por que os apaixonados sonham com o ser distante? Qual seria essa transmissão louca de sentimentos que na magia da noite, nas nuvens mais foscas, os lábios se tocam, Carinhos sem distorções da pele contorcida, naquele prazer e êxtase inexplicável, onde arrepia imortalidade ofegante de saudade, mutua conexão dos céus de veludo. Os olhos se fecham com vergonha das almas que, despidas, se envolvem em toque e prioridade. Não há poetas, somente a poesia a embalar os sentidos rebuscados pelo som do corpo e sensíveis aos comandos da mente.
E o que dizemos dos amores não correspondidos? o que fazer se não há sintonia entre pobres mortais levados pelo instante do mal entendido? Aqueles que contentam seu pesar em serem lembrados com um olhar de relance e um sorriso sutil. "A beleza persuade os olhos dos homens por si mesma, sem necessitar de um orador". Divinizam sua precoce e profunda eternidade em ilusões classificadas em monólogos e passos vazios, caminhos e empecilhos bifurcando sua fusão. Derretem seu EU em posse e solidão, carma encadeado pelas chibatadas e ações duras do inconsciente.
Dos amores que se vão, pela dureza do infinito, somente a lembrança sobrepondo-se à lucidez e à razão, ao céu embarcam os desejos interrompidos pelo tempo dispondo às estrelas o brilho de um olhar inalterável.
Entretanto o mais belo amor é aquele que chega de mansinho, no conforto da amizade, onde desabrochamos o bem estar, o sorriso mais doce, o carinho mais simples, a palavra mais sincera, a mão mais corajosa, a companhia mais presente, o telefonema mais duradouro, a mágoa mais superficial, o ombro mais aconchegante, o ouvido mais cortês, o coração mais aberto, tudo com o toque mais verdadeiro de ser amigo.
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