terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ancião de Queluz



Um ancião a que tudo explicava, certa manhã acordou de seu " reinado". Ali próximo de seu leito macio, correu seus olhos,  estendeu-se até a janela de suas espiações... Nada mais aterrorizante em sua maestria que ver seus aprendizes crescidos. Em sua particularidade puxou as cortinas amareladas pelo sol judiadas, sentou em sua banqueta almofadada e por tempos a fio ficou a espreita.
Lá, viu que as arvores cresciam, davam frutos e com o tempo eram esquecidas pelo Pai. Também se emocionou com o abraço dos irmãos que há anos não se falavam... coisas de família... Não superou a perda de seu amor, que por consequencia de suas noites imaginárias de escritas sem fim, deixava sua esposa a sua espera... até que um dia ao se deitar finalmente agradeceu.... a atitude dela de o ter abandonado, assim, ao invés de chorar, mais uma vez pos-se a escrever.
E o que era essa doce inconstancia que deveras tarde o fizera interrogar... os monstros de seu passado pela estrada deixados, retornavam triunfantes de suas maneiras mais arrogantes, que mente inconcebível era essa questão tão... inquestionável. Pusera aquele intocável mago dos segredos a contemplar suas divinas perguntas e nelas rodopiar, feitiços do ar, empoeirado como os móveis, invisíveis como seus sentimentos.... enclausurou.
Quanto mais olhava para fora, mais se encontrava preso, pois o que mil ensinamentos repassados com a astucia em primazia a leigos ensinava, não era tatil em sentidos mal utilizados. O que era o toque das palmas das mãos se não as suas a orar. Qual dialogo seria tão importante quanto o monólogo com seu travesseiro... ou os versos recitados cheios de letras e versos porém sem a alma de um trovador... 
Então nessa leva de sensações a que despimos o coração.... o mestre sentiu solidão. E  como um safanão em sua face, da janela se afastou, deixando para o mundo o que nunca conseguiria entender... que ao ser imperfeito, o mundo nos abraça mais, que ao ter as perguntas, seremos sempre aprendizes... de nós... da vida.
                              

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