quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Do céu à terra

 

                            

Quando a primavera se vai ao longe com suas flores tão belas e coloridas,como o céu tão vivo de azul endeusado pelas preces que com ele guarda, pelos olhares de esperança que sucede essa atmosfera tão singular, o velcro da noite aprazível vem até esse melancólico quarto reacender a chama da solidão.



Qual solidão é fria? Sinta o corpo aquecido pelas lágrimas que caem nas maças do rosto, respiração sufocada pelas lembranças de um semblante sequer sem traços, alguém que jaz sem ter sabido, do cheiro de jasmim que perambula pelo ar que empregna as narinas, dopando triste serafim.



Enjaulado em utopias, criadas pelo senso da pseudoalegria queda se novamente como essa bela visão das cataratas que hoje proliferam em seus olhos, doce culto a saudade tida em união ao canto das ninfas que invadem sua janela porém não ultrapassam essa clausura com receio de que naquela masmorra se façam vítimas de excesso de amor.



Sufoco revelado pelas amarras de uma história relembrada todas as manhãs pelo cavalo de tróia, traição e coragem de um ancião que subiu as escadarias desse monte para se ver eremita em seu trono, descalçar os calos de seu trabalho, amenizar seu rogo ao instante divino, em contato com suas lamentações ele permanece no seu mundo particular, intocado por essa musa tão fajuta de brilho, sua lareira mostra o reflexo da feiúra de sua face, mordida pela sociedade, renegada pelo amor.



Então segue esse pássaro voador, solitário de companhia, asas abertas ao vento,  sucinta suas andanças ao revoar sobre essas cabeças cheias de números e privações, jaz um mundo em exposição, do alto dessa desordem ainda resta um verde, um amarelo, uma massa esperando que o dia acabe, para que o cinza de suas dores venham com a noite, mais uma vez, mais uma dor, o último armageddon.


                       

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