sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Procura-se: O amor



Não se faz mais um coração como antigamente, muito menos um sentimento tão desconsertante que parava qualquer bruto, até mesmo a mais atarefada dona de botequim, cegava o observador e ensurdecia o mais atento ouvinte, esse é o amor, lembra-se dele? 


As canções apaixonadas ditavam ao corpo a doçura que remetia a falta de ar, a palpitação, a lembrança, todo e qualquer arrepio vindo de um toque da pessoa amada, sensações arremessadas no passado.


O que fizeram com ele, que de repente deu lugar a esperteza, a quantidade, a falta do respeito, superações a cada boca, não se sofre por amor, mas pela escassez dele. As poesias se tornaram páginas empoeiradas, os poetas então... os adolescentes nem querem saber quem eram ou sobre o que escreviam, frases de amor são substituídas pelas mãos insanas e sem reputação.


Uma pena que a modernidade robotizou o amor, talvez se ame mais virtualmente pois os defeitos não são tolerados e não precisa se olhar nos olhos pois a verdade dita uma vez é a desconexão do indivíduo ou bloqueio no msn. Diga-se de passagem é bom olhar nos olhos de quem se ama né? Pode-se ver reluzir o amor mesmo que não se fale nada, e quando há surpresas atrás do disfarce de um olhar sério, o sorriso, uma alegria sem palavras, coisas de "gente velha"... o jovem quer "catar", "pegar", "curtir", e só.


Agora te digo, não há pior do que a falta de amor, tudo é tão cinza, a mesmice de não se ter em quem pensar, o porque de se escrever, de revelar segredos, de sofrer minutos até o telefone tocar, ou até de esperar uma resposta como um sim, pena que está chovendo hoje, mas, o que isso importa? Não há goteiras que inundem mais a alma do que as canções que  relembrem o que é não ter como sofrer por amor.


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