segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O varredor dos sonhos


Blog de jennybyjenny :a visão de uma alma nua e crua, O varredor dos sonhos
Cá estou.Novamente em meio a este vasto e belo salão. Mas algo está confuso, diferente.Minhas galochas molhadas pela chuva de outrora pisam naquele vazio. Não está como antes.
Onde estão aquelas passarelas de flores vivas e singelas que encobriam em pureza o nervosismo da virgem, enchendo de sonhos suas névoas e pensamentos. os laços enormes e aveludados dos vestidos das senhoras, emaranhados em extravagância e esnobismo, assentavam em seus corpos exagerados e mal desenhados. pálida feição de um noivo envolto em ansiedade,dúvidas e prazer transpirava sensações nas mãos firmes e calejadas.
As doces jovens que entre cochichos e timidez, embebidas pelos olhares discretos dos jovens em plumas e paetês. A reluzente aliança fiel, que selava em sossego a inquietude dos amantes. Os sorrisos esperançosos das crianças inocentes enchiam o salão com seus passos apressados no intuito de não perder a brincadeira de esconder.Mesas forradas de fartura e guloseimas tentadoras, frutas desenhadas a mão, formas em pincel saciava os olhos dos enamorados que tilintavam em brindes fantasias no borbulhar da emoção, enfeitiçados pelas palavras incentivadoras dos padrinhos. Felicidade rebuscada em flashes.
Clara noite de luar, ensaiada pela harmonia da banda, tenores do amor, que embalavam casais apaixonados, desconhecidos e desquitados, tudo no tocar da alma, ensejo dos beijos amontoados de desejo e descoberta, acarinhados pelo brilho mágico das estrelas.
Onde está a tradição do joguete de buquê, onde a bela noiva apetecia as imaculadas, largadas e mal amadas, sonhos mil de um marido perfeito, ajoelhado em súplica de amor infinito, pedia a união matrimonial.
Elevo as lembranças às alturas e num ápice real, empunho a vassoura e na tristeza ecoante de meus sentidos, limpo os sonhos ali depositados, recolho as flores murchas pelo tempo, os copos cheios de segredos, os laços abandonados, as cadeiras saudosas de companhia, a solidão do ambiente, sacramentando assim, o último enlace nupcial, antiquado e esquecido pela modernidade .

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