Algoz Revelado
Eu, à partir de hoje não quero mais isso! Confabular sonhos descabidos de perfeição, arregaçar as mangas do desprazer... Leve tudo! Que inaugure essa farsa tão colorida que por dentro corrói a essência do ser humano, com deveres e afazeres que não competem a alegria de ser livre. Minta a dizer que sofrer faz bem! Perjure o que pra si teme!
Quando andar na carruagem de ouro estarei aos prantos, pois minha paz terá se fartado da própria falta. Não mais a encontrarei, pois não á reconhecerei.Os dias torturantes com bons olhos não mais enxergarei, na verdade o toque dos sinos anuncia o funeral da alma, a trepidação comovente, da emoção mais eloquente, o cinismo de tanta gente.
Cansei! De esperar uma certeza, de virar a mesa, de brigar com o mundo, de extasiar o erudito, caçoando de minha existência, que não vê a magnitude do momento em erupção.Chega! Das matilhas ao meu redor, que fortalecem meu desespero, que anuncia essa morte de assuntos na palidez do meu olhar.
Subjeção é meu nome, que nas entrelinhas rosna para esse lobo, tentando salientar minha luta. Surtos de ira sacodem os hormônios travados pelo tempo, recompõe as engrenagens do zelo, ressabia o âmago do medo, Quão louco será outro doido a me encarar? Quando as salivas competem nas gotas a me sufocar.
Quero voltar! Separar esse joio que em mim se recostou, fantasiar novamente o corpete dos anos, ser o que não mais amo, arrebatar esse espelho escuro, onde os traçados negros são palhas de aço a romper minha feição. Digo não! Ao punho esfaçelado de tanta decepção, quero correr dessa perdição, dos muros dessa prisão, e as margens do Ipiranga gritar: "Liberdade aos que sofrem almejando sempre o perdão", arrebentando assim as correntes do meu amargo desdém por esse algoz, hoje ,revelado .

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