sábado, 17 de novembro de 2012

Bullying... não é brincadeira de criança

BULLYING... CONTRA O PASSADO....ENFRENTANDO A REALIDADE!

Jackeline estava animada. Primeiro dia de aula. Sua bolsa azul não combinava muito com seu par de sapatos verdes mas isso não importava para ela. Nova escola, nova cidade, novos amigos, tudo era novidade. Beijou sua mãe que a desejou boa sorte, e marcou o lugar de saida, para que não se perdesse, pois a escola era grande e o fluxo de alunos e carros era considerável.
Em meio a corredores extensos e portas "infinitas" olhou para o papel em sua mão... " sala 39", suspirou extasiante em frente aquele recinto de parede rosa e azul claro, e sem pestanejar entrou na sala. Os alunos já estavam sentados à espera da professora, o sinal já havia tocado, Jackeline estava uns minutos atrasada, somente a carteira da frente foi a que sobrou. Sentou, ajeitou seu material na mesinha: estojo comum, caderno comum, lápis de cor de 12 unidades... comum, mas algo não era comum... o silencio que se fez assim que ela entrou... seus pezinhos se encolheram , teve vergonha.
Enquanto a professora apresentava os alunos, alguns já estavam "bem apresentados" pois conversavam e riam alto. "Jackeline",...ela corou e se levantou pra que a classe a visse, logo escutou um cochicho... "Bombril!". Ela que havia esboçado um sorriso para a educadora, logo voltou a sentar-se com os olhinhos lacrimosos.
Ao fim de umas horas, o sinal se fez novamente presente. Todos pegaram suas lancheiras e como uma manada saíram porta a fora, sem importar os avisos da professora para que não corressem.
O lugar era colorido, os bancos de cimento enfeitados de temas diversos, as árvores e a pérgula florida deixavam o ambiente todo propício à diversão. O parque havia balanço, escorrega e gira-gira, porém somente os aluninhos do pré poderiam participar. Jackeline sentou-se sob a sombra de uma árvore, abriu sua lancheira e quando ía morder aquele delicioso pão com ovo, algumas meninas que passavam bufaram risos e olhares para ela. Baixou a cabeça, sua vontade era de entrar dentro da gema do ovo, mas fez de conta que não era com ela. Os meninos de sua sala, todos na faixa etária dos 7 anos, jogavam bola, falavam alto e de repente Jack só viu a bola bater em seu suco que estava no banco, derrubando-o em toda sua calça.... a comédia foi geral, eles riam e se contorciam, enquanto ela se levantava, arrasada, as pressas para o banheiro, pensava " por quê?".
Manhã terminada. Os alunos saíam, se despediam, beijinhos e tralalá, Jackeline esperava no local combinado com sua mãe, que não chegava nunca.Os segundos após o sino desaguaram todos ao mesmo tempo, ela sentiu-se só. Chorou. Vinte minutos se passaram, aponta o carro da mãe da garotinha que ao entrar no carro ouve: " como foi a aula?" ela então resume: " bem", e partem para a casa.
Dias angustiantes, conflitantes... se faziam anos de sofrimento na cabeçinha de Jackeline, que apesar de tentar fazer amigos, sorrir e procurar conversar, nada alegrava os coleguinhas que além de a terem isolado, encontraram para ela um "dócil" apelido... No recreio, somente uma menina, Letícia, se aproximava dela, mas quando a turminha rodeava a menina, ela feito um  vento saía de perto, a sessão então começava...ouvia de todo o lado :" oi Bombril", "cabelo de ariar panela", risos eram habituais, fora quando seguravam seu cabelinho e ameaçavam cortá-lo... ela, a cada dia, se entristecia.
As chacotas não paravam... era todo dia... não podiam ver a pobre menina comum que logo achavam algo para importuná-la. Suas manhãs haviam se tornado cinza, chuvosas, as lágrimas corriam sem que pedisse. O que uma criança que mal está entrando na sociedade pode fazer ao ser rejeitada assim... sem ao menos ter dado um "bom dia"? Como conhecer alguém que naquele momento está dentro de uma caixa preta, guardando para si toda uma inocência a ser apresentada, se isolando numa culpa que na realidade não existe... pois Jackeline se fechou, guardou esse segredo, aprisionou lá no fundinho do seu ser, tão pequenino, a alegria de ser feliz.
Anos se passaram, e a menina ainda está lá, presa no corpo de uma mulher, triste como Deus não a fez, numa forjada felicidade, passando adiante tudo o que o passado a ensinou, mas de uma forma que ninguém vê, pois seu sorriso é tão encantador, que ninguém tem a coragem de olhá-la nos olhos e ver a Jackeline lá, sentada, acuada, rejeitada, humilhada,  que apenas.... cresceu.... calada.
Blog de jennybyjenny : a visão de uma alma nua e crua, BULLYING... CONTRA O PASSADO....ENFRENTANDO A REALIDADE!

Nenhum comentário:

Postar um comentário