Os cárceres do meu medo ,
libertos na imaginação
trago essa alegria sem indignação
na ilusória familia inventada
de minha infância isolada.
A gota de mel pintada pela criança
pelas abelhas felicidade confeccionada
que lambuza saudosa lembrança.
Cofre a sete chaves guardado,
rostos que não serão rabiscados,
nem pela tristeza apagados
Talento de minha nobreza
onde os risos ecoam desdentados,
morteiros em olhos de tolerância,
que confortam minhas dores,
e afastam o inimigo.
Sutil nas palavras de amigo,
porém sorrateiro e com ódio infindo.
Diluída a mareja nos versos
espectro em mim hediondo,
sem ver o peito aos ventos exponho
A que nos laços absorvi
a este papel em rasura escrevi
Dessa sombra a me desamarrar,
tão logo me renovar, dizer “eu cresci”
Os caminhos que desconheço
a teus ouvidos desbravo em desenho
Até que em minha memória
tua enchente de maledicência
vem a me escaldar
Amargura de não ser o meu olhar,
afeição hipócrita que veio comigo habitar.
Sinto o gosto do perfume,
há léguas no meu ninho vem desordenar
Como queria desse corpo ter requerido
os prós e contras de um amor vencido
Os valores ditam a simpatia, do toque,
da tolerância, contemplo perseverança.
Nada que meus instintos
não foram avisados,
a desviar de lobos amoitados
Que do ar impregnam o cheiro,
fazendo de mim sua presa, seu alimento.
Suprindo sua fome,
com a dor que me consome,
nas palavras cuspidas ontem.
O que a esse choro de lamento,
não cativo as injúrias proferidas
contra minha conjuntura
Pois sou despida em minha escritura,
parte mulher parte criatura
que nesse conto de franqueza,
me exponho sem disfarce,
a todos mostro minha verdade,
sofrendo como sou, abolindo teu desamor,
Sobrevivendo na habilidade de um Condor.
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