quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A ti

 

                                                 A ti

                           

Ainda estou aqui, olhando pra ti com esses olhos esperando um abraço. Não percebe? Preciso disso, de segurar nessa mão que afagou  me quando respirava na barriga de minha mãe. Lá eu sentia uma ansiedade tremenda, de querer sair, para ver quem tanto falava de mim, aqueles olhos tristes de quem tinha vergonha de demonstrar o carinho guardado no coração, de me fazer dormir quando a si perdia o sono com minha dor.
Tantas vezes que meu lápis pegou para me ensinar as fórmulas mais dificeis de somar e multiplicar, o professor que pensava não saber se estava fazendo certo ao me dar uma bronca e me deixar de castigo, ou em ignorar meus passinhos quando saía da sala pra fazer bagunça na cozinha enquanto tirava a soneca do almoço.
Lembro me de quando chorei em teus braços ao brigar com o namorado, meio sem jeito, sempre sisudo passou a mão em meus cabelos e me contou histórias de como a vida é próspera e que não deveria lamentar uma discussão quando tivesse razão, que o caráter de alguém estaria sempre presente no perdão, Ou mesmo quando estava angustiada, saiu comigo pra eu simplesmente gritar aos campos para que não me martirizasse assim.
Sei que quando ficava na sacada, escutando suas músicas, copo e cigarro na mão, sua mente vagava para longe da tristeza que emaranhava seu peito em pranto, às vezes sem uma lágrima derramar para a fraqueza da emoção não transpassar. Teus dias passo a passo nas idéias solitárias de um homem magoado me faziam te refletir.
Hoje estou adulta, tento te enxergar no tempo, varrendo os contras dessa vida que separou sua mão da minha, onde as noites foram tempestades de desamor e ingratidão, que teu coração teima em olhar pra mim sem afeição, como se nada de sentimento existisse, desviar esse momento de se emocionar ao passar por mim como se tivesse esquecido eterno apreço que por ti eu prezo, portanto não penses que a disparidade do julgamento de estar do outro lado vai me fazer deixar de te amar, pois só queria tua atenção chamar, para em minha mão novamente segurar, e nesses dias a seguir por ti rezarei e a ti pedirei que um dia venha a me perdoar.
                 

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