quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Coração de pedra


Essas lágrimas que vem lavar meu rosto, essas lembranças que vem perturbar meu sono
os momentos que retrocedem incessantes chamam sua presença.
Não quero voltar o passado, não quero ter-te em minha mente, quero esquecer
toda cor que você colocou no meu mundo em preto e branco, não sou capaz.
Sinto teu corpo sobre o meu, seu carinho em cada suspiro, sua boca em cada gosto, 
martirizam essa existência tão vulnerável que se negava ao amor, agora sofre com a ausência.
Tudo o que disse, toda minha verdade era mesmo verdade... Os medos que te confessei,
os sorrisos que te dei, era minha alma te agradecendo por estar comigo.
Pura arte da vida, mostrou-me o mel e logo me tirou o pote, somente o passado restou.
Por que o amor é nada para quem finge amar? Enquanto quem ama faz planos, quem ama perdoa
quem ama aposta no escuro. Fingiste amar como um ator que improvisa, um doce pássaro que enfeita minhas manhãs com seu canto, não vi o fim da peça.. Fui o fim dela. Não ouvi mais o pássaro, ele escapou com o vento, não te sinto mais na minha vida.
Queria não ter vivido tão intensamente, nem ter fechado os olhos para a realidade, para o insano, o arco-íris é belíssimo, mas não pode ser tocado, vem e vai sem precisão... Você é esse arco-íris, veio em meio a tempestade de solidão, coloriu meus olhos e foi, me deixando novamente com a neblina, e agora com meus olhos marejados sem previsão de fim.
Sempre acreditei que ato valem mais do que palavras... pena que ouvi as palavras e me ceguei ao teus atos.
Me lembro como se fosse hoje. Paixão que tentei reprimir, segurei em todas as cordas e acabei por me enforcar nelas. Desconfiei dos passos, das conversas, dos sorrisos, me armei em fogo. Mas o inimigo foi mais esperto, venceu pela paciência, caminhou em silêncio, minou todo o campo, descobriu meus segredos, me cobriu nos meus medos. Caí na armadilha. Não consigo sair dessa masmorra. O tempo passa, me distraio, logo o coração bandido martela novamente o que quero esquecer.
Que saudade é essa que dói feito ferrão. Arde como álcool em machucado, tão fundo como o oceano. Não estava nos meus planos te encontrar, nem tão pouco te encaixar na minha vida assim sem razão. Preciso sentir o amor que me dão, doação de alguém, aquele que não amo, que finjo amar. Um sentimento que gostaria de acolher, de retribuir, de sorrir de verdade, abraçar com paixão, viver intensamente. Meu coração está empedrado. Repele qualquer surpresa, reage com uma lança à quem só quer me ver bem. Não confio mais no meu coração. Não contemplo mais a Lua. Não quero mais a idolatria da paixão nem tão pouco a indecência com que o amor nos despe. Prefiro a solidão da minha luta, a veracidade dos meus passos, a realidade da minha razão.
Mas a saudade que plantaram, ainda estará por aqui, escondidinha por trás de cada lágrima.



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