Deste mundo que se consagra o amor, estamos a beira do precipício
Entre as nuvens de areia que turvam os olhos, lava seu rosto em suplício
Colecionando páginas de aprendiz, anda entre as folhas da razão
Um toque de imaginação, as ruas ladrilham em paetês de meretriz
Invisível pelas vestes que escondem o cortejo brilhante
Bate os pés nos chinelos em desuso pela manhã das beldades saltitantes
Um chamarisco recorrente dos anfitriões ausentes, vitrines deslumbrantes
Ali em oferta, tão delicado sapatinho de boneca, suave será seu passo
do outro lado, o glamour em estado venerado, os sonhos cobertos de laços
Dignidade desse pobre ali presente, do mês separou o dinheiro adequadamente
Olhares em postura, do alto desprezam tal criatura, dessa audácia insolente
Ouro em fartura, cabelos frisados em laquês, roupas decoradas em linho inglês
Automático o colapso entra em seu mundo apático, amuado, olha para baixo
Uma força o convence, chama a moça de saia fosca, ela o encara friamente
Com a convicção da sua integridade, pede o sapato sem embaraço
A vendedora não ignora, pois o preço é mesmo para aquela bitola
Sobe e desce escadaria, todas elas em euforia, é certo que hoje ganharão o dia
A alegria é comovente, a esse jovem ali presente, escolheu sua compra contente
Partiu feliz por ter vencido sua própria batalha, aquilo tudo não mais incomodava
A filha que não caminhava, foi a força que lhe faltava
Homem pobre sentiu a vitória, aprendizado que levará na memória.
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