Não sinto mais o sabor das frutas do verão, tão ricas em cores de tão radiante estação. O sal que embriaga meu fel é mais tenro que pensei. O paladar de seus lábios ardentes não mais deliciam meu querer. A boca que tocava meus ombros em suaves desejos expandiu como o ar que mandei pra longe. Sou mesmo o resfriamento das ondas quentes do mar dessa costa, o dilúvio nas ondas das minhas palavras, o porvir da estrofe final do hino.
Ouvidos que sentiam o abranger dos ventos de outono que saciavam meu céu, hoje destronam sua voz viril ao som que ouço agora, distante como a infância que um dia tive, impenetrável como os timbres dos bem te vis que me consagravam, a regência mais sublime do tenor em noite de estréia, a passeata dos jovens que clamavam suas idéias,sussurros da meia noite que desarmavam minhas manhas em sons de colibri.
Asas que contemplavam a beleza da visão das noites nostálgicas de inverno.Alma arrepiada pelos olhos de lince, que me atordoavam a mente ao ser lembrado. O brilho da estrela que imaculado me vertia em suspiros e saudade, a desconfiança que me era comedida pelas pálpebras de sua segurança. Somente as lágrimas em sangue escorrem pelo vulto do meu ser, pela vastidão do lago escuro das tempestades do meu adormecer.
Que almíscar penetrava meus sentidos em proposital arma de sedução. Minha garras em tua luz, iluminavam aquele longínquo e colorido ipê, desmistificada em lírios perfumados, meu caminhar por entre o arvoredo da campana, oscilava meu favo em rosas de jardim, contemplava minha nascente, descendo pela margem demarcada por petúnias e begônias doce alvo de meu alento, imóvel como a última flor da primavera, minhas pétalas se vão ao chão da corte real, pétalas sobrepostas são retiradas uma a uma, desnudo corpo onde meus espinhos salientes cravam hoje em sua nociva distração. Um amor, triste e fantasiado que se foi, com a canção mais tórrida de mil declarações de amor.

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